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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Abraçada com a vida


(Google Images)

Hoje dei um abraço carinhoso e aconchegante na vida.
Fiz reverência ao seu poder e me deitei no seu colo sedenta por um afago.
Convidei-a a passear comigo pelas minha avenidas.
Percebi a beleza das flores e o encanto dos brotinhos ainda nascendo.
As árvores que circundavam os canteiros eram frutíferas e esbeltas e quase tocavam o céu.
No canteiro dos sentimentos retiramos algumas ervas daninhas que faziam com que o sol fosse visto parcialmente.
O que estava lindo e viçoso era o canteiro da alegria pois era imune aos visitantes indesejáveis.
Sentamos um pouco à sombra das árvores e ,no aconchego do abraço, observamos a beleza em volta.
No canteiro da alegria, os sorrisos pegavam impulso no balanço do vento e valsavam com uma melodia linda e encantadora.
A energia era contagiante e fomos tomadas por um sentimento divino.
Resolvi convidá-la para se banhar nas praias privativas e mostrei as águas puras e cristalinas.
Era dia de um sol confiante com garantia de que não iria brincar de se esconder.
Fiz piscininhas em pontos estratégicos e sentei com a vida para um papo reflexivo.
Agradeci a preferência que ela sempre teve por mim.
Reconheci as oportunidades e os dias maravilhosos que ela me ofertou no meu percurso.
Relembrei os tempos de sorrisos e de muita felicidade.
Relembrei das lágrimas que se transformaram em rios para as travessias.
Relembrei das pontes construídas com os obstáculos do caminho.
Relembrei dos banquinhos construídos com as pedras do percurso.
Relembrei das dores, dos amores, das glórias, das tristezas, das alegrias, das lutas e das vitórias.
E ficamos por um longo tempo confabulando sobre as passagens decisivas e pitorescas do caminho.
Agradeci o privilégio de poder abraçá-la e fiz um pedido para que ela me concedesse muitos encontros ao seu lado.
Por fim, convidei-a para ir ao infinito de mim mesma.
Pude, então, perceber um horizonte claro e promissor me convidando a seguir em busca das infinitas possibilidades.

Maria Helena Mota Santos

terça-feira, 10 de maio de 2016

Carência



(Google Images)



Careço
do meu silêncio
Careço
da minha paz
Pra me mostrar
um espaço novo
Pra vida
que se refaz

Careço
do meu olhar
pra via
da solidão
Para entender
estas linhas
Da palma
da minha mão

Careço
de ter saudade
de tudo
que já se foi
Careço
de viver o agora
Sem deixar nada
pra depois

Maria Helena Mota Santos

sábado, 7 de maio de 2016

Feliz dia das Mães!


Um dia
Numa terra bem distante
Deus acordou pensativo
Cheio de reticências
Após ter criado o mundo
Os animais
A natureza
O homem e a mulher

Sentia que sua criação
Não estava completa
Precisaria colocar
Um sentimento no mundo
Que fosse antídoto
Para as dores
Para os sofrimentos
Para a solidão

A quem proporcionar
Tal poder
De gerar um sentimento
Tão infinito?

A quem proporcionar
O poder
De gerar nas entranhas
O amor incondicional?

Após pensar por um tempo
Criou um ser
Dentro de um outro ser
A quem chamou de MAMÃE

E para que o dom
Fosse extensivo
A todas as mulheres
Deu a cada uma
Esse poder maternal
De gerar um ser
No próprio ventre
Ou no ventre do mundo

E só assim descansou
Por saber
Que no mundo
Há um Anjo incansável
Que faz plantão
Em cada esquina
Da vida

Seja dia
Seja noite...


Maria Helena Mota Santos

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Medos

Meus medos
já não são medos
São coragens
disfarçadas
São sinais
de uma mudança
No percurso
da estrada

Meus medos
já não são medos
São disfarces
de um novo tempo
São desafios
na vida impostos
Pra pintar
novos momentos

Meus medos
já não são medos
São asas
de proteção
São versos
do meu reverso
Que faz pulsar
o coração

Maria Helena Mota Santos

11/12/2011

terça-feira, 19 de abril de 2016

Estações


(Foto: Hugo Mota)

Que o sol nunca se deite
Sem provocar o meu sorriso

Que a chuva por mim não passe
Sem roubar as minhas lágrimas

Que a primavera deixe em mim
O rastro de muitas flores

Que o outono me dê a chance
De renovar a minha vida

Quero ser cada momento
De atitude ou de silêncio

Quero viver as estações
Sem perder a intensidade

Quero marcar o meu caminho
Com sementes bem cuidadas

Para florir no tempo certo
E enfeitar toda estrada

Maria Helena Mota Santos

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Perspectiva


(Google Images)


Chegará o dia em que o raro se tornará comum
e que o comum parecerá raro.

Chegará o dia em que é preciso derrubar o muro
e experimentar o descampado.

Chegará o dia em que se estranhará a estranheza
diante de tudo que se desejou.

Chegará o dia em que se acordará atordoado
e pensará que a realidade é sonho.

Chegará o dia em que se buscará a parte perdida
do quebra-cabeça de si mesmo.

Chegará o dia em que se pensará ser outra pessoa
no reflexo do espelho da vida.


Maria Helena Mota Santos

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Verdades


(Google Images)


Verdades sobre mim
são inverdades
que cabem no olhar
de quem me vê
nem sempre o sorriso
é alegria
e o silêncio muitas vezes
é prazer

Quando me vejo
sem a película da ilusão
e enfrento minha mutável
condição
Meus pontos cegos
roubam a cena e me ofuscam
Sempre me vejo
com alguma restrição

Mas se a verdade fosse
tão absoluta
e já nascesse conhecendo
o meu eu
Que graça tinha o viver
sem aprendizado
Se o bom da vida
é ser um eu inacabado!

Maria Helena Mota Santos