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sábado, 19 de setembro de 2020

Desafio


O que dizer diante de um labirinto?
O que dizer diante do que não sei se sinto?
O que dizer diante do que pressinto?
O que dizer diante de uma interrogação?
Que sentimento colocar numa canção?
Como falar de asas pra quem está numa prisão?
Só se eu falar das asas da imaginação
E cada dia for uma nota de uma canção
E a interrogação se transformar em exclamação
E não trilhar os caminhos da previsão
E voar livre independente do que sinto
E encontrar a saída do labirinto
E de braços abertos voar para o infinito

Maria Helena Mota Santos

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Em companhia da alegria


Capturei a alegria
Que passava sorrateira
Lá na terra da infância
E a fiz minha companheira

Desde então ela me segue
Ancorada num sorriso
Quando cai um temporal
Ela se torna meu abrigo

Às vezes fica implícita
Num momento de tristeza
Mas logo reaparece
Mostrando sua beleza

Ela espanta o pessimismo
E algema a solidão
Sempre tenho companhia
Num cantinho do coração

Às vezes cai numa lágrima
E se transforma em sorriso
Nessa ciranda perfeita
Faz da vida um paraíso

Eu a percebo em toda parte
No céu, na terra e no mar
Em cada momento vivido
E no meu coração a pulsar

Maria Helena Mota Santos

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Meu filho


Pousou em minhas mãos 
Fez pulsar meu coração
Fez florir a realidade
Que nos sonhos eu plantei

Pintou meu olhar de brilho
Suavizou o meu sorriso
E me fez colocar sentido
Na estrada do viver

Suas asas tão crescidas
Já não cabem em minhas mãos
Só conseguem se amoldar
No cantinho do coração


Maria Helena Mota Santos

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Incógnita


Era pra ser apenas uma pausa
Na eternidade do sentimento

Era pra ser apenas um flash
No raio infinito que circunda a luz

Era pra ser apenas um momento
Na longa estrada do horizonte

Era pra ser o que se foi sem ser
E se dissipou sem acontecer

Era pra ser o retorno do caminho
E o início de um caminho novo

Era pra ser a incógnita na equação da vida
E a exatidão na indecisão da estrada

Era pra ser a força da fragilidade do instante
E a sensatez na efemeridade da euforia

Era pra ser uma demão nas tintas do amor
Numa obra de arte que o tempo desbotou

Maria Helena Mota Santos


2013

domingo, 2 de agosto de 2020

Falar ou calar?


Se eu calo as vozes me sufocam
Se eu falo o silêncio me atordoa
Falar?
Calar?
O que é falar?
O que é calar?
Se às vezes falo muito no silêncio
e digo pouco com as palavras?
Como dizer no tempo certo
o que é pra se dizer?
Como calar no tempo certo
o que não é pra se falar?
Onde está o justo equilíbrio?
Que elo existe na fronteira
do falar e do calar?
Elo do bom senso?
Elo da experiência?
Elo da sabedoria?
Elo da generosidade?
Elo da empatia?
Elo do amor?

O que é falar?
O que é calar?

Maria Helena Mota Santos

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Menina


Ainda sou aquela menina
que encontrou a sua imagem
num grande baile de máscaras

Ainda sou a saudade
que se despediu da infância
sem se desfazer dos brinquedos

Ainda sou a liberdade
de pés descalços na vida
em busca de terra desconhecida

Ainda sou aquela menina
vestida da cor do sonho
acordada na realidade

Ainda sou menina peralta
que desfaz caminhos prontos
pra não perder a cor dos dias

Ainda sou menina sorriso
que acha sempre uma graça
Nas teias tecidas na vida

Maria Helena Mota Santos

sábado, 25 de julho de 2020

Entrelinhas


Quem poderá me dizer
o que há nas entrelinhas
de cada dia que se faz noite
e de cada noite que se faz dia?

O que será que acontece
na fronteira do encontro
onde a noite apaga a luz
e o dia acende a noite?

Quem poderá me dizer
o que há nas entrelinhas
de cada estrela cadente
que se cansa do lugar?

O que será que acontece
na fronteira do encontro
onde o lugar que era ausente
ganha um brilho reluzente?

Quem poderá me dizer
o que há nas entrelinhas
do instante que é passado
quando há pouco era presente?

O que será que acontece
na fronteira do encontro
onde o futuro se faz presente
pra ser arquivo no passado?

Maria Helena Mota Santos