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domingo, 15 de março de 2026

A colina dos meus sonhos

 Parabéns Aracaju pelos 171 anos em 17/03/2026


No alto foi concebido um sonho.
Olhando do alto se vislumbrou uma linda cidade que foi parida pelo reflexo da luz que emanava do alto da Colina de Santo Antônio.
As casas, as ruas, as avenidas, os bairros foram se desenhando no dia a dia de uma gente hospitaleira e vencedora.
As poeiras que flutuavam na colina foram se transformando em lindas arquiteturas.
As águas da chuva que escorriam lá do alto foram formando as lindas praias.
E o povo foi descendo para desfrutar desse mundo novo, dessa nova princesa que se erguia esbelta.
E assim, a cada amanhecer, se sentia o cheiro da etnia do seu povo.
Sentia-se o murmúrio de amor pela cidade.
Sentia-se o cheiro do seu tempero de diversidades.
E assim a Colina se orgulhava da sua gestação, do seu feito.
E a Colina chorava de alegria e suas lágrimas enchiam a cidade de um orvalho que embelezava cada manhã.
E a Colina até hoje chora na emoção de cada aniversário.
O seu sonho se transformou em alento também para outros filhos vindos de outras terras.
A Colina abriga sonhos, desperta poesia e enche a cidade de magia.
E no bailar do cotidiano mesclamos cheiros, amor, lágrimas, dor, alegria e transformamos tudo na mais linda poesia.
Colina de Santo Antônio é o verso da poética Aracaju.

Maria Helena Mota Santos

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Verso em flor


Era pra ser uma poesia
Versificada no pra sempre
Mas o verso eternamente
Desfez-se da estrofe
De repente

E a poesia teve fim
Lá na estrofe recomeço
Os versos de outra época
Mudaram de endereço

E a nova poesia
Teve espinhos a lhe ferir
E da dor brotou a flor
Que enfeitou novo jardim

A poesia agora escrita
Tem na lágrima o regador
Chove verso no inverso
Do sentimento que brotou

E no novo há o alento
De saber-se beija-flor
Que visita outros jardins
Sem encontrar a sua flor

Maria Helena Mota Santos

20/10/2013

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Imprecisão


Trago em mim
tantas pessoas
que encontro
e desencontro

As que enxugam
lágrimas
As que acionam
prantos

Trago a luz
e a escuridão
A linha reta
e a contramão

Nem sempre só
sou solidão
Fico sozinha
na multidão

Trago a dor
dilacerante
E morro em vida
por um instante

Se pulso forte
sou emoção
Se estou letárgica
sou imprecisão

Trago a incerteza
do que virá
Mas abro as asas
para voar

Nem sempre sou
o que pensei
Ando em busca
do que não sei


Maria Helena Mota Santos


18/02/2012

domingo, 18 de janeiro de 2026

Meu sonho


O meu sonho
é seguir sonhando
e pintando cores
no meu dia a dia

Tenho o sonho
de sonhar
com a realidade
vestida de fantasia

O meu sonho
é flutuar
nas asas leves
da poesia

Tenho sonho
de escrever
versos de amor
todos os dias

O meu sonho
é não me opor
ao sonho
que se insinua

Tenho sonho
de plantar
e regar a flor
de cada rua

O meu sonho
é levitar
e conhecer
o infinito

Tenho sonho
de deixar o mundo
bem mais pertinho
do paraíso


Maria Helena Mota Santos

sábado, 10 de janeiro de 2026

Entrelinhas


Quem poderá me dizer
o que há nas entrelinhas
de cada dia que se faz noite
e de cada noite que se faz dia?

O que será que acontece
na fronteira do encontro
onde a noite apaga a luz
e o dia acende a noite?

Quem poderá me dizer
o que há nas entrelinhas
de cada estrela cadente
que se cansa do lugar?

O que será que acontece
na fronteira do encontro
onde o lugar que era ausente
ganha um brilho reluzente?

Quem poderá me dizer
o que há nas entrelinhas
do instante que é passado
quando há pouco era presente?

O que será que acontece
na fronteira do encontro
onde o futuro se faz presente
pra ser arquivo no passado?

Maria Helena Mota Santos

sábado, 27 de dezembro de 2025

O amor


O que é o amor senão
Uma amizade sem limite
Um sofrimento prazeroso
Uma comunhão na diferença
Um esperar desesperado?

O que é o amor senão
Um caminhar sem um padrão
Um palpitar no infinito
Uma doação sem ter estoque
Um levitar na multidão?

O que é o amor senão
Um lugar do paraíso
Um coração em disparada
Uma chuva de sorrisos
Uma saudade acompanhada?

O que é o amor senão
Um deserto com oásis
Um labirinto com passagem
Uma felicidade indefinida
Uma essência colorida?

O amor é lágrima revertida em alegria
É viagem sem destino e sem roteiro
É desatino que equilibra as travessias.
É a magia que encanta o mundo inteiro.


Maria Helena Mota Santos

08/04/2010

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Lição de criança


Eu estava aguardando um dos elevadores do prédio onde moro.
Um sinal de alerta me invade: ouço o choro de criança!
Apuro minha audição e descubro: o som vem do elevador!
Meu lado altruísta fica de plantão, pronto para agir!
De repente, a porta se abre! E conheço um desconhecido.
Um menino chora compulsivamente!
Uma senhora o consola e diz: chegamos! A porta já abriu!
Num ímpeto eu o afago com muito carinho.
Ele olha para mim, ainda assustado, e para de chorar!
Descubro que a causa do pranto era o elevador enguiçado.
A criança olha novamente para mim, desconfiada, e segue!
E eu subo para meu apartamento pelo outro elevador, é claro!
Quando olho, da varanda, fico surpresa!
O menino já está na quadra rindo alto e andando de bicicleta!
Se eu não o tivesse visto, minutos antes, não imaginaria que ele teria passado por um susto.
Junto com sua alegria pueril ele dá uma grande lição:

É preciso, quando possível, se despedir de momentos tristes
com a leveza de uma criança e a rapidez de uma águia.

Maria Helena Mota Santos