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sábado, 19 de novembro de 2011

Novo tempo


(Imagem-Google Imagens)


O novo tempo
cansou de esperar
e envelheceu

Enquanto esperava
colheu sabedoria
e renasceu

O sábio tempo
não mais esperava
o tempo mudar

Não tinha mais tempo
pra esperar
a vida passar

Apenas seguia
Apenas sorria
pro sol ou pra chuva

Apenas andava
Apenas sabia
plantar todo dia

Plantava esperança
Plantava amor
Plantava alegria

Maria Helena Mota Santos


Interação cheia de muita sabedoria!


Cada dia é sempre diferente dos outros.
Hoje, aceito o novo tempo como um plano.
«Trabalho o poema sobre uma hipótese:o amor que se despeja no copo da vida, até ao meio, como se pudéssemos beber de um trago.No fundo, como o vinho turvo,deixa um gosto amargo na boca.Pergunto onde está a transparência do vidro, a energia de quem procura esvaziar a garrafa: e a resposta são estes cacos, que nos cortam as mãos, a mesa de alma suja de restos, palavras espalhadas num cansaço de sentidos.Volto, então, à primeira hipótese.O amor.Mas sem a gastar de uma vez, esperando que o tempo enche o copo até cima, para que o possa erguer à luz do teu corpo e veja através dele, o teu rosto inteiro.»Nuno Júdice, in "Poesia Reunida".

Adriano
Blog Fatimawines(http://fatimawinews.blogspot.com)

Canal do tempo


(Imagem-Google Imagem)


O canal do tempo anunciou
Tempestade iminente
Com chuva torrencial
E tufão inevitável

Mas o hábito de ser sol
Fez a chuva se esconder
A tempestade fenecer
O tufão arrefecer

Raio de luz se fez presente
E não deixou a inundação
Transformar-se em enxurrada
E no rio do caminho transbordar

E o sol nasceu bonito
Desfilando com seus raios
Aqueceu a luz do dia
E só à noite ele partiu

Mesmo assim ficou presente
No reflexo do luar
Coadjuvando com a lua
Foram no mar se encontrar

E dançaram toda noite
Numa alegria contagiante
E fizeram companhia
Pros corações itinerantes

Maria Helena Mota Santos

09/10/2010

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Parte latente


(Imagem-Google Imagens)

Era uma parte de mim que partia
Naquele dia no qual o sol se pôs
Enquanto outra parte de mim renascia
Parte que eu tinha deixado pra depois

Fez-se parto da parte preterida
No tempo em que não havia entardecer
E só na hora do sol poente
A parte, enfim, pôde renascer

É parte que ameniza a incompletude
E cobra o nascer para outra aurora
É parte que aponta pra outra margem
E redesenha uma nova trajetória

É parte que renova as estações
É parte que sobrevive de esperança
É parte que aponta horizontes
É parte necessária pra mudança

Maria Helena Mota Santos
Belíssima interação!

Que poético,
parto que parte,
ou seja,
do parto nasceram muitas partes,
a que renova,
a que se foi embora,
a que escapou,
a que se multiplica,
a que se divide,
a que compartilha,
a que sabe,
a que nunca falhou.
Isto, congeminou
e,
já é um todo!
Já não é latente,
é gente!

Adriano
Blog Fatimawines(http://fatimawinews.blogspot.com)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Até que a morte os separe


(Imagem-Google Imagens)

Ele a levava com um carinho imenso
Quase todos os dias
Seus passos lentos e trôpegos
Faziam com que ela marcasse passo
Tinha sido acometida por um AVC
Um dos braços estava paralisado
O seu rosto não tinha mais simetria
Sua fala já não tinha mais sons audíveis
Mas ele a levava todos os dias para ver o sol
Levava consigo uma cadeira de praia
E fazia da praça, em frente ao seu prédio, o seu mar
Ajudava-a a se sentar na cadeira
E ficava ali por um bom tempo
Para que ela pudesse se banhar de sol
Um dia fizera um pacto com ela
“Na alegria, na tristeza
Na saúde, na doença”
E hoje cumpria de uma forma
Que enternecia meu olhar
Observava-os nessas passagens
E esse carinho me inspirava
A acreditar no amor incondicional
No verdadeiro amor
Aquele amor que não se alimenta
Apenas de novos momentos
Mas da renovação
Diante das fases da vida
Diante dos obstáculos
Diante do imprevisível
Aquele amor verdadeiro
Que é companhia
Mesmo quando o outro
Só tem o silêncio
Para dizer suas palavras
Aquele amor infinito
Que pode acontecer
Em qualquer momento
Em qualquer lugar
No coração dos amantes
No coração dos pais
No coração dos amigos
No coração da humanidade
Aquele amor que transcende
E toca no coração de Deus

Maria Helena Mota Santos

29/10/2010


Uma linda interação!

Que meiguice,
velhinhos isentos de chatice.
Foi você que disse,
quanta sensibilidade,
quanta gratidão camuflada,
quanto amor,...
Quem corre cansa.
Sorrir é um acto de energia.
Não deixar passar um único ser,
sem o amar.«Deus me vê».
Com AVC, Alzeimer,
Parkissom ou, outras doenças,
os velhinhos tem,
pelo que necessitam de uma dose,
reforçada de,
Constância, paciência,
e,
a gente dá com atenção,
em troca, recebemos:
Delicadeza, simpatia,
discrição e humildade.

Adriano
Blog Fatimawines(http://fatimawinews.blogspot.com)

Aquarela


(Imagem=Google Imagens)

Caem-me cores
de colores
na minha tela
de plantão
Caem-me tintas
aquarelas
no caminho
da solidão

Caem-me papéis
bem decorados
com enredos
desfocados
Caem-me ideias
desconexas
à espera
dos meus cuidados

Caem-me sentimentos
tão variados
para encenar
no meu tablado
Caem-me silêncios
tão conturbados
como pausas
nos intervalos

Caem-me vidas
desprovidas
de um nexo
programado
Caem-me suportes
que dão norte
pra continuar
minha viagem

Maria Helena Mota Santos

INTERAÇÃO ESPECIALMENTE LINDA!


Não é aguarela não!
é obra de arte,
desenhada no coração,
é canção,
é cor,
é estares sempre à mão,
do irmão,
interlocutor.
Escreves com o pincel,
como quem toca piano,
pintas com carinho,
a solidão.
A tela,
qual janela,
abre-se para a vida.
Imagino-a, pintada
com cores de todas as idades,
isenta de soberba,
e, muita humildade.

Adriano
Blog Fatimawines(http://fatimawinews.blogspot.com)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quem eu sou?


Imagem-Google Imagens)


Quem eu sou?
Não sei não!
Posso mudar
no próximo minuto
a minha própria
definição.

Quem eu sou?
Não sei não!
Sou passarinho
Sou borboleta
E algumas vezes
fico no chão.

Quem eu sou?
Não sei não!
Sou sol brilhante
Sou chuva forte
Sou metamorfose
das estações.

Quem eu sou?
Não sei não!
Não sou estanque
Sou verso e rima
Sou melodia
de uma canção.


Maria Helena Mota Santos


Linda e suave interação!

Quem poderás ser,
verbo, fórmula,
rima, melodia,
ou, Cotovia?
Quem poderás ser,
partitura,sinfonia,
harmonia?
Tudo!
Itinerante,
constante,
residual do instante,
momento em movimento,
oscilas como toda agente.
Porém, se és verso e rima, melodia
e, canção.Então, já sei quem és!

Adriano
Blog Fatimawines(http://fatimawinews.blogspot.com)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A dor e a esperança


(Imagem-Google Imagens)

Quando a dor se veste de esperança
Ela entra no palco mascarada
A dor encena um sorriso bem aberto
E a sua fala é otimista e humorada

Mas quando a realidade a desnuda
E os espinhos dilaceram as feridas
O sangramento é intenso e hemorrágico
E faz da dor o seu ponto de partida

Percorre o corpo com a rapidez de uma águia
E as lembranças aparecem de repente
Os momentos de imediato entram no palco
E o passado toma conta do presente

A dor tapa o sol, tapa lua e as estrelas
Mas não tapa a vontade de lutar
Pois se cada dia vem montado em um sol
Há de um dia esse sol pra dor brilhar

Maria Helena Mota Santos

07/04/2010


Interação linda e sensível!

A dor tapa tudo,
mas o sofrimento aceite,
merece todo o meu respeito.
Tenho alguém, na família
que quis o destino,
ficou grande deficiente,
e, hoje vive contente.
Reza,chora, ri,
e, é feliz,
à sua maneira.
Um dia alguém, já velhinho
foi visitá-la,
dar-lhe um pouco de carinho,
saiu confortado,
e , disse pelo caminho:
-Estava equivocado,foi ela que me confortou,
ele, quase chorou,
porque viu nela,tanta paz,
tanta esperança,
como se fosse uma criança.
Quem ama sofre,
quem aceita o sofrimento,
alimenta o eu, interior,
e, tem retorno assegurado.
Tanto faz,
sentir-se possuído,
como quem ri com agrado,
de ser feliz.

Adriano
Blog Fatimawines(http://fatimawinews.blogspot.com)