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domingo, 30 de setembro de 2012

Saudade da menina

(João Paulo Corumba)

O meu poeta, João Paulo Corumba, está de volta ao blog com uma poesia maravilhosa que coloca em evdência a sensibilidade do seu ser! Parabéns!


Se a saudade falasse
A vida congelaria
Nas palavras nas frases
De choro de melancolia

Ah menina se soubesses
Que mesmo longe nada muda
Ficaria mesmo muda, surda, cega
Diria "amor" pela fuga do olhar

Se me sentisse descreveria a dor
Saberia costurar meu coração quebrado
Atenderia ao meu pedido na flor
Para florescer a dor no meu recado

Meu recado rasgado numa carta
Que um dia você leu em lágrimas
Me sentiu te sentindo na literatura
Me viu te vendo sem censura

Ah, meu amor antigo
Sei que já me abandonaste
E que sou mais um no mundo
Preso a quem já tem par

Ah, minha flor antiga
Queres ser uma ausente amiga
Não sabe o preço que eu pago
Por ter esse mole coração sem afago

Ah, minha estrangeira
No laço do horizonte uma voz me chega
Dizendo que o sonho nunca acaba
E que a alma é fruto do que se sonha

Ah, minha menina que não é minha
Não posso guardar esses versos na gaveta
Não quero a minha dor engavetada
Quero mesmo é o amor da minha amada!

João Paulo Corumba.

sábado, 29 de setembro de 2012

Eco do silêncio

(Imagem-Google Imagens)

No meu silêncio
estava o seu silêncio
embutido na pintura
de uma tela
que se tornara
aquarela

E no grito mudo
das paisagens toscas
e de traços sutis
estava o caminho
rodeado de flores
e improváveis espinhos

E no silêncio
o barulho se perdeu
sem saber
que o eco se corrompeu
no túnel imenso
do infinito tempo

Maria Helena Mota Santos


A aurora da escuridão

(Imagem-Google Imagens)

Quando a luz se apagou
E a estrada ficou escura
Alguns dormiram ao relento
A margem era mais segura

E desistindo de sonhar
Se entregaram por inteiro
Passaram por longa noite
Num inverno de pesadelos

Mas a escuridão amanheceu
E inquietou os que dormiram
E mesmo com muito esforço
Os olhos novamente se abriram

A luz voltou de outra forma
Pela luz do sol condensada
E alguns que ficaram à margem
Acordaram para nova caminhada

Uns ficaram paralisados
Pelo medo do outro dia escurecer
E foram em busca de lamparinas
Para não experimentar o anoitecer

Mas com a ventania a lamparina apagou
E os que seguiram já viam luz na escuridão
Pois não há vento que consiga apagar
A luz que acende em cada coração

Maria Helena Mota Santos

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A equação do tempo

(Imagem-Google Imagens)

Ontem foi dia de morte.
Hoje é dia de vida.
Amanhã é dia de incerteza.
Hoje sou o ritmo do dia com o olhar na incerteza do amanhã.
Na ciranda se vive ou se morre.
Só posso viver plenamente , na medida do possível , se bailar no compasso da vida e se viver o minuto presente de olho apenas no minuto seguinte.
O passado, o presente e o futuro são trigêmeos. Um é prolongamento do outro.
Em uma só frase se vivencia os três sem que se tenha controle sobre nenhum.
A palavra lida já é passado na leitura da palavra seguinte.
É muito rápido o ritmo da dança da vida.
O que fazer para não sucumbir aos pés do tempo?
O que fazer para não achar que se tem muitos vazios no tempo que é tão curto?
O que fazer para não desperdiçar o que não se sabe nem o quanto se tem na vida?
Em que tempo será o meu tempo de não mais ter tempo para bailar nessa dimensão?
Que equação existe que seria determinante de quanto tempo cada um teria?
Terei feito o quê, quando chegar o tempo de não ter tempo?
Terei visto o fruto do trabalho que vim semear? Ou verei só a flor?
Qual o tempo do tempo?
O tempo dela acabou ontem e por mais tempo que a vida tenha lhe proporcionado todos ao redor acharam pouco tempo.
O que é pouco?
O que é muito?
Existiria um tempo satisfatório?
Haveria um tempo que agradaria a todos sem ser o da eternidade?
E os que querem partir sem gastar seu tempo?
Ficariam satisfeitos de abortar o tempo antes de ter nascido?
E se houvesse um bônus do tempo que fosse acumulado para ser gasto quando acabasse o tempo?
E se não tivesse tempo para a vida?
Teríamos vida sem tempo e tempo sem vida...

Maria Helena Mota Santos

09/06/2010

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Destino da dor


COMO NÃO AMAR UM POETA QUE COLOCA EM VERSOS SENTIMENTOS QUE PERMEIAM O NOSSO COTIDIANO?
PARABÉNS!


Viajei para encontrar a dor
Quase chorei, pensei que era amor
Era uma imagem, um retrato
Um coração sem vinho

Desembarquei na porta do engano
Mataram o horizonte na minha frente
Eu vi a caveira da vida ao meu lado
A morte era o fato de ser enganado

Se fez de bela numa identidade falsa
Fui atrás da bela sem saber a valsa
Errei os passos da dança e esqueci de mim
Morri na melodia dos desafinados

Ela me desafiou e me atacou
Fui presa do ninho feminino cruel
Mais uma vez esquecido em abandono
Chorei sem lágrimas, morri em vida.

Quando volto à casa sem rumo
Perguntam sobre o corpo ferido
Então respondo em tom solene
"Me confundiram com um bandido"

João Paulo Corumba

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Partida

(Imagem-Google Imagens)

Hoje eu quero prestar uma homenagem a Dona Stela, mãe de minha querida amiga Silvana Santana Baumann, que partiu para outra dimensão.Que a luz divina seja a ponte para a transmutação para outro momento da vida.


No revezamento
Da chegada e da partida
Do início e do fim
Há o intervalo
Que se chama vida

A vida de quem vai
Permanece no coração
De quem fica
Em forma de silêncio
Em forma de lágrimas
Em forma de saudade
Em forma de carinho
Em forma de amor

O fim é um começo
Na trilha das lembranças

O fim é um começo
Na trilha do infinito

O fim é a senha
Do mistério da existência

O fim é um parto
Para outra dimensão


Maria Helena Mota Santos

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Viver é arte!

(Imagem-Google Imagens)

Viver
É partir
É permanecer
É não saber pra onde ir
É cair
É levantar
É abrir as asas e voar
É sorrir
É chorar
É ter um objetivo pra lutar
É sentir dor
É se resignar
É não perder a fé e caminhar
É desilusão
É superação
É um portal pra imensidão
É amar
É,sobretudo,amar
É acender a luz do sonhar

Maria Helena Mota Santos