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sábado, 30 de junho de 2012

Encanto de viver

(Imagem-Google Imagens)

De tantas horas
desencantadas
recebi o encanto
que me fascina
Recebi a maturidade
de mulher
e a pureza
da menina

Recebi o colo
do tempo
e dei colo
aos sentimentos
E não perco
as viagens
com prazer
ou sofrimento

Pois viver
é sinfonia
com notas fortes
ou pianíssimas
É desbravar
É esperar
O novo canto
que se aproxima

Maria Helena Mota Santos

02/10/2011

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Vestida de empatia

(Imagem-Google Imagens)

Vesti-me de empatia para emprestar a voz a todos que passam por um momento dorido.


Num poço
lá no fundo do coração
existe um rio de lágrimas
que desistiram de cair
para não alagar as passagens
de seres queridos
Mas as lágrimas
me tiram o fôlego
inundam-me por dentro
e encharcam minha alma
até o fundo do poço
Por vezes se rebelam
e incontrolavelmente
transbordam na solidão
dos momentos
Estou me afogando
em lágrimas doridas
em dias de sorrisos molhados
com a máscara de cada dia
Estou num rio de lágrimas
sem balsa para a travessia
Sigo em companhia do vento
vestida de poesia

Maria Helena Mota Santos

28/11/2011

terça-feira, 26 de junho de 2012

O princípio e o fim


(Imagem-Google Imagens)

O princípio e o fim
Intercalam o meio
Onde tudo acontece

Na ilusão do amanhã
Delega-se ao depois
A tarefa do agora

Ser feliz é lá adiante
E o hoje é embaçado
Pela visão do futuro

Busca-se a profecia
Do que vai acontecer
Nos dias que virão

Na correria frenética
O real é o passado
E o presente é invisível

E a vida se esvai
Numa linha imprecisa
Que um dia se desfaz

Maria Helena Mota Santos

domingo, 24 de junho de 2012

Cumplicidade mágica



(Imagem-Google Imagens)


Ela enxugava sua lágrima
Enquanto a dela caía
Uma estrela mudava de lugar
E um pedido ela fazia

Ela embalava sua insônia
E o sono dela se perdia
Partia na cauda de um cometa
Pra buscar a alegria

Ela escutava seu gemido
E o sorriso dela se esvaía
Então fazia uma prece
Pra acabar com a agonia

Ela escutava seu silêncio
E a voz lhe emprestava
Acendia uma estrela
E toda sombra clareava

E quando tudo era tristeza
Era uma mão a afagar
Veio com a missão de ser mãe
Para ao seu lado caminhar

Maria Helena Mota Santos

sábado, 23 de junho de 2012

Pausa



(Imagem-Google Imagens)

O silêncio era um fantasma
que rondava
a minha casa
De repente
fez-se brisa
que me leva
e me dá asas

O silêncio me roubava
da armadilha
das palavras
De repente
fez-se guia
quando a vida entrou
em pausa

O silêncio me resgatou
das amarras
dos meus medos
De repente
fez-se amigo
que me acompanha
e dá conselhos

Maria Helena Mota Santos

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A lição da chuva


(Imagem-Google Imagens)

Voltava para casa, hoje, após uma caminhada matinal
e fui surpreendida por uma chuva inesperada.
Daquelas chuvas que nem o canal do tempo faz previsão.
Acelerei os passos e procurei um abrigo.
Quando lá cheguei encontrei outras pessoas
que nem tinham agendado comigo naquela hora.
Estávamos ali, juntas, quase nos tocando, por um acaso.
Aproveitei o momento para observar as minhas reações internas
e as que eu podia perceber ou inferir nas pessoas.
Olhei primeiro para o lugar mais confortável:
O lado de fora!
Olhar pra si é sempre mais difícil!
Umas pareciam inquietas.
Outras mostravam irritação.
Algumas se impacientavam e saíam se molhando.
Outras, como eu, pareciam observar o momento,
talvez, com receio de acionar recordações melancólicas.
A chuva tem o poder de trazer aquela nostalgia latente.
Resolvi então olhar com mais atenção a chuva que caía.
E percebi que ao cair no chão, os pingos não escorregavam,
ao contrário, faziam círculos harmônicos.
Os pingos numa dança belíssima em pista molhada,
com uma bela sincronia, rodopiavam de mãos dadas.
Estavam lado a lado com outros círculos mas não se misturavam.
Cada grupo era companheiro mas não perdia sua identidade.
Fiquei assim em torno de dez minutos e aprendi uma grande lição.
Nas alturas ou no chão se pode fazer da vida uma bela canção.

Maria Helena Mota Santos

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Pedido


(Imagem-Google Imagens)

Não me peça
que não chore
Não me peça
que não sofra
Não me peça
que não viva
Não me peça
que não morra

Não me impeça
de ser gente
Não me impeça
de seguir
Não me impeça
de ser eu
Não me impeça
de sorrir

Não há peça
sem roteiro
Não há peça
sem direção
Não há peça
sem o pulso
Do que vem
do coração

Maria Helena Mota Santos

15/01/2012