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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Possibilidades


Do
Sempre
não sou

Do
Nunca
muito menos

Sou
das possibilidades
e das vulnerabilidades
da inconstância
da vida

Sou
do inusitado
indeterminado
conquistado

Não sou
estanque
Meu caminho
é adiante

Certamente
Não sou do caminho
do meio
Sentimentos antagônicos
permeio

Extraio vida
da sobrevida

Com versos
e rimas
curo as minhas
feridas

Maria Helena Mota Santos

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Poetizei


Sem saber
Que não seria
Fui

Sem saber
Que não queria
Quis

Sem saber
Que não viria
Esperei

Sem saber
Que era fugaz
Eternizei

Sem saber
Que era verso
Poetizei

Maria Helena Mota Santos

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Verso em flor


Era pra ser uma poesia
Versificada no pra sempre
Mas o verso eternamente
Desfez-se da estrofe
De repente

E a poesia teve fim
Lá na estrofe recomeço
Os versos de outra época
Mudaram de endereço

E a nova poesia
Teve espinhos a lhe ferir
E da dor brotou a flor
Que enfeitou novo jardim

A poesia agora escrita
Tem na lágrima o regador
Chove verso no inverso
Do sentimento que brotou

E no novo há o alento
De saber-se beija-flor
Que visita outros jardins
Sem encontrar a sua flor

Maria Helena Mota Santos

20/10/2013

domingo, 10 de outubro de 2021

inusitado


Não era por ali
Mas fui
Se era pra ficar
Segui
Aviso de perigo
Não li
Nasci com asas
Parti

Maria Helena Mota Santos

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Falar ou Calar?


Se eu calo as vozes me sufocam
Se eu falo o silêncio me atordoa
Falar?
Calar?
O que é falar?
O que é calar?
Se às vezes falo muito no silêncio
e digo pouco com as palavras?
Como dizer no tempo certo
o que é pra se dizer?
Como calar no tempo certo
o que não é pra se falar?
Onde está o justo equilíbrio?
Que elo existe na fronteira
do falar e do calar?
Elo do bom senso?
Elo da experiência?
Elo da sabedoria?
Elo da generosidade?
Elo da empatia?
Elo do amor?

O que é falar?
O que é calar?

Maria Helena Mota Santos

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Estações


Que o sol nunca se deite
Sem provocar o meu sorriso

Que a chuva por mim não passe
Sem roubar as minhas lágrimas

Que a primavera deixe em mim
O rastro de muitas flores

Que o outono me dê a chance
De renovar a minha vida

Quero ser cada momento
De atitude ou de silêncio

Quero viver as estações
Sem perder a intensidade

Quero marcar o meu caminho
Com sementes bem cuidadas

Para florir no tempo certo
E enfeitar toda estrada

Maria Helena Mota Santos

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Menina


Ainda sou aquela menina
que encontrou a sua imagem
num grande baile de máscaras

Ainda sou a saudade
que se despediu da infância
sem se desfazer dos brinquedos

Ainda sou a liberdade
de pés descalços na vida
em busca de terra desconhecida

Ainda sou aquela menina
vestida da cor do sonho
acordada na realidade

Ainda sou menina peralta
que desfaz caminhos prontos
pra não perder a cor dos dias

Ainda sou menina sorriso
que acha sempre uma graça
Nas teias tecidas na vida

Maria Helena Mota Santos