segunda-feira, 25 de novembro de 2019
Animal de estimação: uma esperança!
Num domingo à noite, dia 14 de agosto de 2010, estava no meu quarto assistindo ao programa Fantástico e percebi entrando pela porta, que dá acesso à varanda, um inseto.
Após o susto, percebi que era uma esperança! Acionei logo o meu lado supersticioso, quase inexistente, e repeti o que todo mundo diz: bom presságio!
O inusitado é que ela adotou o meu quarto como o seu lugar preferido. Vive comigo até hoje me levando a desenvolver um afeto por ela.
Quase chorei, quando percebi que ela perdeu uma patinha! Mas a lição maravilhosa que ela me deu é inesquecível: ela continuou realizando todos os seus movimentos e buscando seus objetivos.
Por vezes, acompanha-me até à sala de televisão e, às vezes, faz com que eu grite quando pula em mim! Meu filho vem correndo ver o que aconteceu! Pareço uma criança!
Uma das minhas maiores aflições foi como alimentá-la. Ficava discutindo com meu filho sobre o que esperança comia. Ele olhou na internet e disse: folha verde.
Então, tiramos umas folhinhas de uma planta e percebemos que ela nem deu atenção. Conversando com minha cabeleireira, ela disse: dê alface. Assim o fiz! Pelo menos ela ficou em cima da folha de alface por um longo tempo. Não sei se ela se alimentou ou a fez de cama. Mas está sobrevivendo!
A partir da esperança, comecei a refletir sobre os episódios fortuitos que fazem diferença no cotidiano. Hoje, eu e meu filho, andamos em casa " pisando em ovos" com receio de machucá-la! Ele me diz: mãe, você se apegou a ela! Mas, aqui pra nós e a torcida do Flamengo, ele também!
A lição mais importante : para nos sentirmos acompanhados não se faz necessária apenas a presença de pessoas, mas de qualquer ser vivo que nos escolha e que seja aceito por nós.
Mais uma vez a grande conclusão: NUNCA ESTAMOS SOZINHOS!
Maria Helena Mota Santos
21 08 2010
domingo, 24 de novembro de 2019
Voando feliz
Se minha lágrima cai respinga no mundo
Se um sorriso se abre enxuga o respingo
Se eu sou tão pequena em relação ao Universo
Com o fermento do amor cresço até o infinito
Se eu ando calada ouço as vozes de dentro
Se eu ando falando o silêncio se instala
Se eu sou obra inédita e de mim não há réplica
Eu preciso ter fé pra vencer a batalha
Se uma estrela cadente se muda do céu
Se eu faço um pedido pra chuva passar
Se a estrela descer enxugando as gotas
Eu já tenho certeza que o sol vai raiar
Se eu estou num cantinho bem particular
Se vislumbro um mundo que vou conquistar
Se na selva não há animais predadores
Vou mudando de pele e me deixo guiar
Se uma luz me aponta um caminho no mundo
Se uma voz de comando me manda partir
Se eu sou ser alado sem pressa e sem medo
Vou voando feliz num mundo sem fim
Maria Helena Mota Santos
21/05/2010
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Eu sou
Eu sou
Uma brisa suave
Que pousou no acaso
E se fez gente
Eu sou
Um tom solitário
Que pousou num acorde
E se fez canção
Eu sou
Um sentimento profundo
Que pousou em um verso
E se fez poesia
Eu sou
Um barquinho de papel
Que remou pelo mar
E se fez infinito
Eu sou
Uma pétala ao vento
Que pousou num jardim
E se fez flor
Eu sou
Um pedacinho de saudade
Que pousou num coração
E se fez amor
Maria Helena Mota Santos
terça-feira, 19 de novembro de 2019
O novelo e a vida
Meu novelo caiu ladeira abaixo
Nas pedras do caminho se enroscou
Eu desci correndo ao seu encontro
Nem a dor da descida me parou
Sentei nas pedras do caminho
E peguei o novelo com cuidado
Peguei fio por fio com muita calma
Para consertar os fios embaraçados
Olhei minha vida ladeira acima
E o novelo era todo organizado
Mas foi a partir da sua queda
Que obtive um novo aprendizado
Não sabia desembaraçar esses nós
Que a descida da ladeira acrescentou
E nas tentativas de erro e acerto
Desfiz os nós que a dor em mim deixou
Das pedras eu fiz uma construção
Pra me abrigar das possíveis ventanias
Pois a vida não é só paz e bonança
É uma ciranda de tristeza e alegria
O pódio nem sempre está no alto
Há pódios que se instalam na descida
É subindo e descendo as ladeiras
Que se ganha resistência e sobrevida
Maria Helena Mota Santos
13/02/2010
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
Um sopro de vida
Se no fio ainda pousa um pássaro
Se as pessoas ainda caminham na rua
Se as luzes ainda estão acesas
Se o céu ainda tem a cor azul
Se o sol ainda aquece com seus raios
Se a lua ainda mostra as suas fases
Se o dia ainda amanhece e anoitece
Se o coração ainda abriga sentimentos
Se as pessoas ainda se abraçam
Se os amigos sinceros ainda existem
Se a confiança ainda está em pauta
Se o amor ainda paira pelo ar
Se as árvores ainda crescem e frutificam
Se o pensamento ainda é livre pra sonhar
Se ainda há um sopro de vida
Ainda dá tempo
Da tristeza se revezar com a alegria
Do medo se revezar com a coragem
Da raiva se revezar com o perdão
Do conflito se revezar com a união
Da desilusão se revezar com a esperança
Da apatia se revezar com a ação
Do pessimismo se revezar com o otimismo
Do desencanto se revezar com o sonho
Da guerra se revezar com a paz
Porque a vida é a respiração que amanhece
É cada batida que no coração acontece
É cada sonho que no ser se estabelece
É cada desejo transformado em prece
Maria Helena Mota Santos
sábado, 16 de novembro de 2019
Sou assim
Eu não vejo a luz da vida
Pela lente da tristeza
Extraio de cada fato
A essência da beleza
E se as lágrimas transbordam
Faço o esboço de um sorriso
Acalento as minhas dores
E busco ajuda se preciso
Não desperdiço a luz do sol
Que a minha alma enxerga
Concentro-me no privilégio
De estar em paz na terra
Não coloco a tristeza
Num patamar superior
Decepções são enfrentadas
Com o antídoto do amor
Foi assim que aprendi
A viver a vida cada dia
Nas asas de uma criança
Encho meu mundo de magia
Maria Helena Mota Santos
14 01 2013
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
Gratidão
Tive tanto
Tenho tanto
Que a vida tira
E ainda sobra
Sobram essências
de jasmim
Sobram as rosas
no jardim
Sobram sorrisos
de mãos dadas com a alegria
Sobram imaginações
que acionam as fantasias
Sobram lágrimas
que hidratam as emoções
Sobram notas
que invadem as canções
Sobram dores
de metamorfoses salvadoras
Sobram versos
de poesias redentoras
Sobram réstias
pela luz que vem das frestas
Sobram coragens
precursoras das viagens
Sobram nostalgias
que acionam as saudades
Sobram amores
que eternizam as paisagens
Maria Helena Mota Santos
fev de 2013
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