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domingo, 30 de janeiro de 2011

O parto nosso de cada dia


(Imagem-Google Imagens)

No início de cada manhã
há de se assumir a gravidez dos sentimentos
e não provocar aborto no que é indesejado.

No início de cada manhã
há de se assumir o embrião do ventre da alma
e encará-lo como parte do seu ser.

No início de cada manhã
há de se acompanhar os sinais que vêm de dentro
e acompanhar preventivamente a gestação
para facilitar o trabalho de parto.

No início de cada manhã
há de se escutar os ruídos da alma
com as contrações que vêm de dentro
e facilitar a dilatação dos sentimentos.

No início de cada manhã
há de se aceitar a dor presente
e acarinhá-la para facilitar a passagem
que levará a outro canal da vida.

No início de cada manhã
há de se agradecer por estar pulsando
e abraçar com carinho a dor ou alegria
como parte vital dessa grande travessia.

Maria Helena Mota Santos

09/04/2010

sábado, 29 de janeiro de 2011

O sorriso da tristeza


(Imagem-Google Imagens)

No recorte de um momento na estrada
A alegria é a senha de uma tristeza
Em cada sorriso é acionada uma lágrima
Cada celebração dilacera um coração
E o brinde é feito com taças cheias de dor
Onde o champanhe se faz vinho amargo
E assim na gangorra que é a vida
Um celebra a partida que outro chora
Mas na ciranda dessa roda que é o tempo
Onde a cena se renova e se faz palco
Há um desfecho enquanto o mundo gira
E o que hoje é só tristeza e solidão
Amanhã pode ser o caminho da redenção

Maria Helena Mota Santos

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Amigo


(Imagem-Google Imagens)

Amigo é um acorde suave que orquestra os melhores momentos da vida e embala os piores com canções de ninar.
No aconchego das palavras ou, simplesmente, do silêncio, a sua companhia é uma partida para um lugar infinitamente confortável.
Nesse lugar há um encanto e uma magia que fazem das horas momentos imperdíveis.
Ao lado dele, ouve-se o canto dos pássaros e o convite para voar sem, necessariamente, precisar de asas.
A sua companhia é sentida a quilômetros de distância no território da saudade.
Ao lado dele a paz se faz presente imunizando a turbulência interior.
No seu olhar há o convite para a travessia em busca de um mundo novo.
Ter amigo é ter uma asa para voar quando se está no chão da vida.
Ter amigo é ter um abraço quentinho e aconchegante nas noites frias da vida.
Ter amigo é ter um lencinho disponível para enxugar as lágrimas.
Ter amigo é bailar nas alturas tendo um porto seguro para pousar.
Ter amigo é ter um paraíso disponível quando se está no terreno da tristeza.
Ter amigo, sobretudo, é ter uma parte sua guardada, no cofre de um outro coração, para ser utilizada nos acidentes do percurso.

Maria Helena Mota Santos

22-03-2010
Minha doce "amiga" Lena.

Encontro lindo, de amizade, através de uma linda interação da minha amiga ÂNGELA.
Obrigada, querida!
Você deveria postar seu comentário, que virou poesia, no seu blog.
Você tem o dom!
Bjs!


Ter um amigo é ter um despertar tranquilo para as intempéries do dia.
Ter amigo é poder ter um amanhã mesmo inseguro e incerto.
Ter um amigo é ter a certeza de ter um ombro para recostar quando mais precisar.
Ter um amigo é ter de um sorriso largo e os olhos a brilhar.
Ter um amigo é ter conforto e esperança garantida.
Ter um amigo é poder se embriagar e ter a cabeça a girar como em uma roda gigante a girar, a girar.
Ter um amigo é ter certeza de que alguém te esperará, no calor, no frio, longe ou perto cedo ou tarde, ele te esperará.
Ter amigo é ter o corpo inteiro, é ser alegre e sorrateiro, poder ser sisudo ou bagunceiro.
Ter amigo é descobrir que tem inspiração, que tem alma e coração,é se sentir inteiro capaz de alegrar outro coração.
Ter amigo é ter capacidade de se fazer sentir e estar presente mesmo estando longe, ou mesmo nunca terem se dado as mãos.
É ter um amigo é ter a capacidade de através dos sentimentos deixados em forma de palavras e poemas sentir-se abraçado e confortado.
Ter um amigo é ter a certeza de que alguém em algum lugar estará sempre pensando em você.
Ter um a amigo é ter um pedaço de um céu estrelado sem uma nuvem se quer.
Ter um amigo é possuir asas enormes e poder voar para o lugar onde ele possa estar.
É poder ver o brilho dos seus próprios olhos...

Querida, você me deu asas para voar para onde você possa estar, e sentir suas palavras a me confortar.

Hoje estava precisando muito de uma palavra amiga e você me chamou até aqui, obrigada.

Beijos com carinhos

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A queda do dia


(Imagem-Google Imagens)

Sonhei que o dia estava caindo numa velocidade inalcançável.
Tentei convencê-lo do quanto ele poderia ser encantado pelo sol.
Orientei-o a tomar banho de mar para lavar os resquícios da noite escura.
Mostrei a beleza dos campos e dos pássaros que voavam com direção.
Dei-lhe a mão para que ele pudesse aterrissar e ofereci uma bebida quente.
O dia sentou ao meu lado,cabisbaixo, e reclamou da escuridão da noite passada.
Disse-me que a lua adoeceu,acometida por um eclipse, e tirou folga, impedindo-o de armazenar luz.
Então emprestei os meus olhos para que ele pudesse enxergar a luz própria.
Falei da beleza da sua companhia e que já não me sentia só.
O dia me olhou cheio de promessa e resolveu cumprir sua missão.
Ergueu-se! Buscou o sol armazenado dentro de si e abriu um belo sorriso.
E soltou da minha mão para entrar no seu turno até ser rendido pela noite.
E foi sorrindo numa claridade impressionante e inimaginável.
E depois virou noite para no outro dia amanhecer.

Maria Helena Mota Santos

22/02/2010

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Nas asas do destino


(Imagem-Google Imagens)

Uma borboleta pousou no meu destino e me convidou a alçar voo pelos jardins.
Pousei nas suas asas coloridas e acordei da letargia do casulo.
Indicou-me caminhos já esquecidos e colocou óculos de outra dimensão.
Acordei de um pesadelo, que era sonho, e suspirei um alívio inesperado.
Belisquei-me e percebi que era eu quem ousava viajar perto do céu.
O sorriso se tornou uma gargalhada e se vestiu de uma leveza esquecida.
Fiz piruetas com as nuvens e aparei gotas de chuva para regar o jardim da minha vida.
A chuva era formada de gotinhas de sol e dava uma cor especial as flores do meu jardim particular.
Soltei os gritos entalados e as correntes que me prendiam a antigas convenções.
Meus pés valsaram no tablado do Universo numa sincronia inesperada.
Ensaiei passos de uma dança esquecida e compus versos que cicatrizavam feridas.
Pude perceber o que já estava escrito e vislumbrei novas ideias para futuras postagens.
E a borboleta, vez por outra, me soltava das asas e um “medo corajoso” não me fazia cair.
Percebi o meu projeto de asas que precisava do lubrificante da coragem.
Acessei minha memória de criança e voei nas asas da minha fantasia.
E rodopiei, dancei, cantei, murmurei e...amei

Maria Helena Mota Santos

06/02/10

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pausa


(Imagem-Google Imagens)

A vida me chama pra viver em atos
As letras me faltam
As emoções têm sede de lágrimas
O tambor rufa novo momento
Momento de partir
De ficar de longe
De ficar em perspectiva
De não dizer nada por dizer
Momento de despertar
A menina que abraça flores
E se fere com espinhos
E novamente abraça
E novamente se fere
E vem nova dor
E ainda assim, abraça...
O sino interior anuncia
É hora de olhar pra si
De cuidar das suas flores
Plantar um livro
Sem letras
Sem versos
Sem pretensões
Sem divagações
Momento de ser
Apenas uma poesia

Maria Helena Mota Santos

domingo, 23 de janeiro de 2011

A greve das letras


(Imagem-Google Imagens)

As letras fizeram greve
E não formavam palavras
O escritor ficou perplexo
Mas elas nem se importavam

Deitaram no alfabeto
Quase que em câmera lenta
O escritor as cutucava
E elas estavam sonolentas

O escritor ficou olhando
Com uma grande aflição
Como iria entregar no prazo
A sua composição?

Ficou tentando entender
O motivo do levante
Será que estavam deprimidas
E lhes deram algum calmante?

Só a letra S muito sensível
Acordou meio sinuosa
E chamou o escritor
Para um dedinho de prosa

Disse que estavam estressadas
De tanto ir pra lá e pra cá
Só andavam entre os dedos
Nem com os pés podiam andar

Eram acordadas qualquer hora
De dia ou de madrugada
Às vezes estavam exaustas
E ninguém se incomodava

Às vezes caíam em mãos
Que a elas maltratavam
Elas ficavam sem sentido
E até o acento lhes tiravam

Alguns deles nem sabiam
O seu sentido aplicar
Faziam tanta confusão
Que as faziam desmaiar

Elas também tinham direito
De ir e vir quando quisessem
Aí entraram numa oração
E Deus atendeu suas preces

Tinham o sonho de voar
E conhecer o infinito
Queriam na mão do vento
Ser um poema bem bonito

Maria Helena Mota Santos

21/03/2010