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terça-feira, 9 de setembro de 2014

Linha do tempo


(Google Imagens)


Não teço
cada dia
com linhas quebradas
pelo tempo
Em cada amanhecer
pego outra linha
e bordo
novo momento

Às vezes
de cores pálidas
Às vezes
de cores firmes
Eu valorizo
cada cor
A cor alegre
e a cor triste

Às vezes
teço pelo avesso
com as mãos trêmulas
de frio
Às vezes
tenho pouca linha
mas encaro
o desafio

Às vezes
penso que teço
um caminho
que escolhi
Mas percebo
que havia esboço
do bordado
que teci

Às vezes
fico perplexa
meus bordados
não reconheço
Mas não deixo
um só dia
Sem tentar
um recomeço

Teço
desde que acordo
e só paro
quando adormeço
Mas em sonho
sou intuída
e para o novo dia
eu amanheço

Maria Helena Mota Santos

02/04/2012

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Andança


(Google Imagens)

Andava diferente na mesma trilha que caminhara outrora
Escutava os ecos dos seus passos em companhia do alvorecer
Não chorava, não sorria, nenhum sentimento surgia
No passo rápido abrigava a lentidão das horas
Tinha pressa, mas não queria correr com o vento
Preferia esperar a inexatidão do tempo
O orvalho, por vezes , lhe causava surpresa
Quando no abrigo dos seus olhos congelavam
Causando uma certa irritação ocular
Até degelarem com os raios de sol
Ouvia pássaros internos e despertos
E escutava sons inaudíveis, imperceptíveis
Conversava com seus ruídos
Sem precisar usar os seus sentidos
Expressava uma serenidade paradoxal e absurda
Que contrastava com a guerra dos seus mundos
Sem teto buscava abrigo no infinito
Fazendo pausas se fosse preciso
Enfim, sentia-se um recorte de um momento
Que ficara guardado no arquivo do tempo

Maria Helena Mota Santos

domingo, 7 de setembro de 2014

Amanheci assim

(Google Images)

Amanheci assim
tão pequenina
que não sou vista
em nenhuma esquina
Meu coração transcende
e se agiganta sobre o corpo
O vento me roça
e sinto frio até no osso

Amanheci assim
com tanta sutileza
que não perco de vista
a real beleza
Dos poros da vida
percebo as sementes
Que se fazem frutos
docemente

Amanheci assim
tão desigual
que não sei a proporção
do sentimento atual
Da vitrine da alma
puxo parte de mim
E compartilho com o mundo
o que ainda não conheci

Amanheci assim
tão humanamente real
que me misturo ao mundo
de uma forma original
Ouço os gritos inaudíveis
e com eles me envolvo
Sou sorrisos e lágrimas
Sou a emoção do novo

Maria Helena Mota Santos

16/03/2012

sábado, 6 de setembro de 2014

Roteiro


(Google Images)

Engraçado
É quando a graça
Vem do choro
No reflexo
Do espelho
Onde o riso
Convence as lágrimas
Para uma trama
Sem roteiro

Maria Helena Mota Santos

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Erupção


(Google Images)

Cada erupção
Na pele
É a lágrima
Que não caiu
E não chorou
No tempo incerto
Da dor

Cada erupção
Na pele
É o espinho
Que nasceu
E se disfarçou
Por entre as pétalas
Da flor

Maria Helena Mota Santos

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Imprecisão

(Google Imagens)


Trago em mim
tantas pessoas
que encontro
e desencontro

As que enxugam
lágrimas
As que acionam
prantos

Trago a luz
e a escuridão
A linha reta
e a contramão

Nem sempre só
sou solidão
Fico sozinha
na multidão

Trago a dor
dilacerante
E morro em vida
por um instante

Se pulso forte
sou emoção
Se estou letárgica
sou imprecisão

Trago a incerteza
do que virá
Mas abro as asas
para voar

Nem sempre sou
o que pensei
Ando em busca
do que não sei


Maria Helena Mota Santos

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Poetizei


(Google Images)


Sem saber
Que não seria
Fui

Sem saber
Que não queria
Quis

Sem saber
Que não viria
Esperei

Sem saber
Que era fugaz
Eternizei

Sem saber
Que era verso
Poetizei

Maria Helena Mota Santos