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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O voo do papel


(Imagem-Google Imagens)
No chão, em frente a um prédio, uma pichação: TE AMO.
Num salão de festa, no mesmo prédio, as cadeiras esperam, "pacientes", pelos convidados.
No céu nuvens bordadas insinuam esboços humanos se amando.
Dois pássaros passam brincando de esconde-esconde como meninos arteiros.
Um adolescente passa cabisbaixo, provavelmente, pensando o que fazer sábado à noite.
Uma jovem senhora passa puxando pelo braço seu filho “doentinho”.
Vários carros passam em fila, na avenida, como se tivessem marcado a hora do encontro.
Pessoas passam arrastando as sandálias com a falta de pressa do sábado.
A tarde fica sonolenta e o divagar ,do poeta, é inevitável e sem pressa.
O poeta fica na letargia do tempo, da rua, da avenida e da cidade.
Assume o embalo calmo das pessoas que passam na rua.
Assume o palpitar macio do pulso da rua que ecoa no coração da cidade.
O poeta quer olhar pra rua e não quer olhar na sua própria avenida.
Assume a dinâmica do movimento que não para, embora pareça lento.
Resolve emprestar o seu olhar pra vida cirandar como quiser e quando quiser.
Subitamente, um papel sai do chão e voa e volta e, depois, cai para voar de novo.
O papel desperta um fascínio no poeta que resolve acompanhar sua trajetória.
O papel traz de volta um brilho “travesso” no seu olhar e desperta a criança adormecida.
O poeta resolve sair de si e divagar nos braços da sua alma pueril.
Deixa-se guiar pelas asas do papel que sobe ou desce conforme a direção do vento.
Assume a condição de papel, que o vento leva, e põe sua alma nessa vida itinerante e imprevisível.
Não sabe quando vai parar e o quanto vai aprender, nessas passagens, nos braços do vento.
Vai se deixando levar , sem controle, esquecendo o que acontece na periferia.
Vai sentindo a leveza de ser papel e voar, cair, voar, cair...voar!

Maria Helena Mota Santos



14/03/2010

10 comentários:

  1. Tem gente que possui a alma encantada não é mesmo??? Consegue ver poesia e mágica em coisas tão simples, que para muitos passa despercebido...

    Ontem encontrei com uma amiga para fazer compras...e como tenho feito uma série fotografica sobre moradores de rua... cada detalhe nesse sentido me chamava a atenção...
    Como estavamos numa região muito complicada, e a ideia original era só fazer compras, não levei meu equipamento...
    mas, cada olhar foi minuciosamente guardado, imaginando o registro...

    Assim faz o poeta...tanto quanto o fotografo... registra cada segundo...cada sensação, e o que aos outros é comum e sem importancia... para ele é pura poesia...

    belissimo texto Lena... amo ler vc...
    beijo gde minha amiga... tenha um dia abençoado!!!

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  2. que bonito! comparar a alma do poeta à um papel, que o vento leva, que a vida leva. O mundo do poeta é especial, nada rápido nem rasteiro, é profundo, mágico, vivo, sentido.

    gosto muito de seus poemas, Helena.

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  3. Uma viagem linda esta sua prosa poética, amiga querida.
    Através dos seus olhos...me fiz papel a voar...a voar.
    Mil beijos e imensa ternura

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  4. Doce Lena, Sinto que sua poesia é como este tal papel a voar.... leve e solta ao vento, a voar...
    Como sempre lindo!!!!!
    Adoro você.
    beijos com carinho

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  5. Lindaaaaaaaa, quanta inspiração!! Belíssima comparação do poeta com o papel que cai muitas vezes, mas não deixa de voar, e eu, que não sou boba nem nada, venho voar aki, nas asas da sua poesia. Te amo minha amiga. Bjos

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  6. Minha queridíssima Maria Elena, sempre q acho um tempinho corro pra cá, pra ver o q vc anda “pintando” ... e como sempre anda pintando o sete com todo esse talento q já tem a sua cara...

    Moça enquanto fui te lendo aqui fui imaginado cada sena, o chão do prédio, a pichação do eu ti amo, consegui imaginar ate como seria o barulho da pessoa arrastando as sandálias na rua...
    Isso é uma das coisas q tanto me encanta nos teus textos...

    Beijoo doce.;*

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  7. Olá amigos/as, peço desculpas por só hoje interagir, pois estava sem acesso a net desde o dia 09/01/2011.
    E por estar atrasado com as tarefas blogais farei outra visita e comentarei sua postagem.
    Obrigado

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  8. Que linda comparação querida,
    ambas tem a mesma leveza..
    te amo.

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  9. O poeta assume um tempo que não é seu e faz dele eternidade... O poeta fita a vida e a percebe vida... ele faz do que ver canção silenciosa.
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    Abraços. Saudades...

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  10. E quanta leveza na composição de palavras na qual remete a um bom baiano, devagar, calmo e preguiçoso. Uma mistura lírica de sentimento mostrando o quanto o papel é interessante.
    E realmente a alma dos poetas são tão leve de sentimentos como se fossem de plumas e papel.
    Parabéns mais uma vez.
    Estamos de volta e isso é bom.
    Abraço

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